terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Report Campeão - PPTQ Kyoto

Saudações, jogadores! Meu nome é Marco Aurélio, sou membro da Equipe Liga Arena e hoje tenho a felicidade de trazer para vocês um report do PPTQ – Kyoto realizado no último final de semana (18/02) em São José dos Campos, no qual consegui ser campeão e garantir a vaga para o RPTQ Hour of Devastation. Seguindo os moldes dos últimos reports realizados pela Equipe L. A., primeiramente farei uma análise simples do deck que utilizei ressaltando os motivos de cada escolha. Vamos a ele:

B/G Delirium
Main Deck (60 Cartas)
6 – Floresta
7 – Pântano
_______
23 Terrenos

_______
37 Magicas

Sideboard (15 Cartas)


Com a ascensão do Mardu no Pro Tour Aether Revolts, os decks de CopyCat foram empurrados para fora do metagame Standard, e assim o ambiente ficou infestado por Mardu Veículos e B/G Constrictor, seu predador natural, fazendo então com que o B/G Delirium passasse de um deck mediano, para algo muito bem posicionado no ambiente, já que possui match justa contra Mardu e favorável contra o Contrictor. Na semana anterior ao evento, treinei exaustivamente essas partidas, me fazendo chegar a essa configuração do Delirium.

Vamos à análise rápida dos cards separadamente.

É a principal criatura do deck. Costumo dizer que o deck basicamente possui o “plano de Grim Flayer” e o “plano de Ishkanah” porque são as principais jogadas do deck e o que faz toda a mecânica girar. Esse bicho se não respondido e caso conecte uma única vez no começo do jogo, cria uma vantagem absurda por sua seleção de cards e possibilidade de habilitar o delirium com muita rapidez. No PPTQ ele me fez ganhar muitos jogos onde no combate, conseguia habilitar o Delirium, fazendo ele ficar maior que os bloqueadores e triggar sua habilidade por ser atropelar. Por esse e mais 1001 motivos, justifica-se o uso do play set de Flayer.


Novamente a aranha se encontra bem posicionada no T2. Criando 4 bloqueadores de uma vez, essa carta tem o poder de estabilizar o jogo para o Delirium. É a carta que te permite virar o jogo quando se está muito atrás na partida. Muitas vezes, combinada aos efeitos de voltar criaturas do cemitério, você precisa resolver mais de uma no jogo para conseguir estabilizar. Por diversas vezes você precisa fazer jogadas “ruins” mas que te permitirão resolver uma Ishkanah com delirium no turno 5. Dependendo da partida, se não o faz, você perde. Por isso ela é a pedra basilar do deck, justificando o uso de 3 cópias.


São, concomitantemente, as piores e as mais necessárias cartas do deck. Enablers que te garantem o delirium – é por esse motivo que elas estão aí. Ainda assim, o deck possui algumas jogadas interessantes por causa dessas cartas, como os casos supracitados do delirium rápido para o Flayer no combate através do Receptáculo e o retorno de Ishkanah/Gearhulk/Balista para sobreviver.

No early game te garante o drop land e no mid-late game, é tutor. O deck certamente só é forte por conta dessa carta, te permitindo ter uma mini tool-box para as mais diversas situações.




Antes de encerrar essa pequena análise, não poderia deixar de citar a balista. Com o banimento de Emrakul, the Promised End no Standard, alguns jogadores de Delirium acreditavam que não haveria substituto à altura, e que o deck morreria por não ter mais nenhuma jogada impactante no late-game. Bom, de fato não existe e provavelmente nunca existirá substituto para Emrakul, já que de tão errada que a carta era, precisou ser banida. Mas de alguma forma, a Balista supre essa necessidade do deck. O Delirium passou a ser um deck mais justo pós-banimento e faltava uma jogada forte quando se tem muitas manas no fim do jogo e se compra um Atravessar Ulvenwald. Ela ainda mostra certa versatilidade por ser útil também no começo do jogo, punindo as criaturas de resistência 1 (como as do Mardu Veículos). Além disso tudo, habilita delirium com facilidade, mata planinauta e pode encerrar a partida quando o oponente está com pouca vida. Enfim, parece bastante coisa para uma carta só.

O restante do deck acaba sendo redundância em efeitos de remoções e efeitos de retorno do grave – ou as duas coisas, como no caso de Liliana, The Last Hope. Deck dissecado, vamos ao fatídico torneio de sábado. Ao todo, foram 24 jogadores disputando a vaga para o RPTQ.

Rodada 1: 4C CopyCat
É um dos piores matchs para o Delirium pela incompatibilidade de planos. Ele pretende fazer pressão com as criaturas na mesa e eventualmente combar. Nesse caso, se eu tento estabilizar a mesa com Ishkanah, morro na volta, o que torna o match bem problemático.
Jogo 1: Ele começa lento, mas eu compro só criaturas e nenhuma remoção. Em dado momento do jogo, ele tem a opção de combar, mas não o faz, me dando um pouco mais de tempo. Mesmo eu lidando com uma Saheeli, ele acaba resolvendo a segunda, e acaba combando do mesmo jeito.
Jogo 2: Pós-side o meu plano passa a ser agredir e descartar sua mão. Keepo uma mão com Dríade, Flayer e Tracker, mas sem nenhum descarte. Como estava na play, arrisco partir para a agressividade, o que acaba dando certo.
Jogo 3: Compro a segunda parte do side e acabo resolvendo 1 Transgredir no começo, exilando o gato. Tomo Negate no Lost Legacy e resolvo o segundo Transgredir no meio do jogo. Meu oponente acaba ficando com uma mão cheia de Saheelis e uma na mesa com 6 marcadores. Compra o gato, mas eu respondo com Grasp. A essa altura já tinha um Tracker 7/6 e o oponente concede.

Rodada 2: Aloyr (4C Marvel CopyCat)
Enfrentar um cara da equipe em um evento grande já é muito ruim, em um bad match então, chega a ser desanimador. De uma forma geral, os jogos foram bem injustos.
Jogo 1: Sei que não tenho muito o que fazer no game 1, exceto torcer para não vir nada de bom na ativação do Marvel. Não foi o que aconteceu no game 1, tomei um Ulamog que me desnorteou tanto que nem contei o 10 de dano dele atacando (fato engraçado porque o juiz chamou nossa atenção de que não registramos os 10 de dano do ataque). Enfim, Ulamog é game.
Jogo 2: O plano de side aqui é o mesmo para o match anterior. Nesse jogo, pressiono com Dríade e Tracker. Ele tenta estabilizar no final com Deep-Fiend, mas não compra praticamente nada depois disso. Eventualmente o eldrazi morre e consigo encerrar a partida antes dele conseguir resolver o Ulamog que estava em sua mão.
Jogo 3: Nesse jogo Aloyr compra muita land (e eu comprovo isso com Transgredir a Mente). Demônio e Tracker pressionam, ele ativa Marvel, mas não encontra nada e acabo ganhando.

Rodada 3: B/G Constrictor
Treinei bastante contra B/G e não parecia ser um match ruim se devidamente respondido – matar a Constritora Sinuosa é essencial nessa partida. É um game focado em trocas e gosto bastante de jogar esse estilo de game.
Jogo 1: Ganho no dado e começo com Flayer seguido de remoção na cobra. O jogo se desenrola com o clássico 1 para 1. Ele mata meu primeiro Flayer, que reponho no turno seguinte. Eu faço Ishkanah, mas ele não encontra o Verdurous Gearhulk, me dando tempo para pressionar suas criaturas menores. Liliana me ajuda muito nessa partida repondo a Ishkanah para vencer.
Jogo 2: Eu faço mulligan, keep uma mão com 2 lands e zico.
Jogo 3: Na play e com Grim Flayer? Keep. Nesse jogo fico bem à frente e me lembro de em um mesmo turno fazer Demônio, buscar Ishkanah com Atravessar e conectar com Grim Flayer. Meu oponente compra muito mal e acabo levando a partida.

Rodada 4: U/R Emerge
Eu tinha visto esse cara jogar do meu lado e enquanto embaralhava, estava pensando em como vencer esse match. Cheguei à conclusão de que teria que contar muito com a sorte porque tudo o que meu deck tenta fazer, o deck dele faz mais cedo e com mais eficiência.
Jogo 1: Meu oponente ganha no dado e começa de uma forma assustadora. Faz Reunião Catártica no turno 2, descartando um Advanced Stitchwing e um Prized Amalgam. Nesse momento precisava muito habilitar delirium para tentar resolver uma Ishkanah para me manter vivo. Passo o meu turno 3 e tudo que estava no grave volta. Ele me ataca com 6 no turno 4, passa e faz um Elder Deep-Fiend, impossibilitando qualquer jogada. Foi o início mais forte que eu já vi no Standard. Parecia que eu estava jogando contra um deck de outro formato, rs. Consigo resolver uma Ishkanah que não é nem de longe o necessário para estabilizar a partida. Vou fazendo alguns blocks de sobrevivência e vou a 1 de vida. Em um determinado ponto da partida, tinha uma Ishkanah, 6 tokens de aranha e uma Balista com 4 marcadores. Meu oponente faz Kozilek’s Return e limpa a nossa mesa. Compro uma Ishkanah do topo enquanto ele não compra o burn que precisava para me matar. Acabo vencendo uma partida que já tinha dado como perdida.
Jogo 2: meu oponente faz mulligan a 5 e ainda encontra alguma resistência, mas ele não encontra nenhum enabler a tempo e acabo levando o match.

Rodada 5: Como já estava garantido para o top 8, dei ID e passei em 1º lugar. Devo dizer que o benefício de começar todos os jogos foi extremamente importante.

Quartas de Final: B/G Constrictor
Acabo enfrentando o Roudiney, o mesmo da rodada 3 do torneio. O mais legal é que ele profetizou isso na rodada 3, quando disse ao sair da mesa que nos veríamos no top 8.
Jogo 1: Começo sem Flayer dessa vez, mas com algumas remoções e 1 Tracker. Ele lida com ele e eu compro outro em seguida que fica bem forte na mesa. Meu oponente parou na quarta land e depois que eu busquei um Noxious Gearhulk com Atravessar Ulvenwald, ele recolhe.
Jogo 2: Jogo muito bom. Não me recordo de todos os detalhes, mas foi um jogo cheio de reviravoltas e houve uma jogada decisiva. Em dado momento da partida, eu controlava um Noxious Gearhulk e uma Dríade Nodosa (sem delirium) e do outro lado da mesa tinha uma Bristling Hydra e 6 marcadores de energia. Eu precisava muito de delirium, pois tinha 2 Atravessar Ulvenwald na mão e poucos pontos. Penso muito e resolvo não atacar. Meu oponente resolve o seu próprio Noxious Gearhulk e mata a Dríade. Ele ataca com a Hidra e eu troco no meu Gearhulk. Isso me faz ter delirium e eu volto de Ruinous Path no Gearhulk com despertar e no outro turno, Atravessar + Ishkanah para selar a partida.

Semifinal: Julio (Mardu Veículos)
Nós estávamos bem contentes porque acreditávamos que nos enfrentaríamos só na final. Quando fomos pareados, deu uma desanimada, mas sabíamos que isso era possível no fim das contas e pelo menos um membro da equipe já estava na final.
Como disse no começo do report, treinei muito o match contra Mardu e sabia exatamente o tipo de mão que eu queria ter. Mãos com Fatal Push ou Grasp são essenciais nessa partida.
Jogo 1: Começo a partida e faço mana, vai, até o quarto turno.  Mas no terceiro turno dele, ter a resposta certa para o Coração de Kiran foi fundamental. Ele faz Motorista Veterano e tripula o Coração, deixando-o 5/5, mas eu tenho Fatal Push e consigo lidar com a ameaça. Ele resolve outro Coração e eu, outra remoção. O jogo não se desenvolve muito do lado dele e eu acabo levando o game 1.
Jogo 2: O início do jogo 2 é uma réplica do primeiro. Ele faz Motorista tripulando Coração, e eu respondo com Fatal Push. Eu faço Grim Flayer e Julio o segundo Motorista. Faço Kalitas, Traidor de Ghet e ataco com o Esfolador, me fazendo manipular o topo. Ele faz Thalia, Cátara Herege. Eu resolvo uma Gavinhas Esfoladoras (que infelizmente não cria tokens de zumbis com o Kalitas) e ainda continuo um tempo sem delirium e com Atravessar Ulvenwald na mão. Ele resolve mais um Motorista enquanto eu ataco com Kalitas. Finalmente habilito o delirium e busco uma Balista, dando 1 de dano no Motorista Veterano e fazendo uma token de zumbi. No turno derradeiro, Julio faz uma Avacyn mas eu tinha poder de combate para letal.

Final: B/G Energy
Jogo 1: No primeiro jogo, se eu não tivesse começado, certamente perderia. Ele resolve um elefante no turno 2 que é respondido por um Fatal Push. Conecto um ataque de Flayer e tenho uma decisão difícil para tomar. Vejo 1 Liliana e 1 Flayer no topo, se os colocasse no cemitério, teria delirium para buscar Ishkanah, e fazê-la no próximo turno. Ou poderia não ter tanta pressa e deixar a Liliana no topo, que certamente me ajudaria na partida. Aposto no clock rápido e opto por buscar a Ishkanah. Acabo comprando só land depois disso (já tinha 3 na mão), mas contando com os ataques e as ativações da aranha, consigo exatamente o dano letal. Não fosse isso, morreria na volta.
Jogo 2: Foi um jogo digno de final mesmo. Bem difícil, demorado e cheio de reviravoltas. Não me lembro muito do início, mas em dado momento da partida fui fortemente pressionado por 2 Greenbelt Rampager, 1 Constritora Sinuosa e 1 Verdurous Gearhulk – cada um deles com 2 marcadores +1/+1. Depois de um Apetite pelo Antinatural salvador no Hulk, vou a 5 de vida, fazendo a Ishkanah morrer e voltar com Grapple with the past. Passada a pressão, resolvo cada criatura aos poucos enquanto vou desenvolvendo minha mesa – e meu oponente só compra lands. Ele faz uma Balista com 4 marcadores (e eu com 5 de vida!), mata meu Tracker, e eu ataco para letal na volta. Mais um turno e não daria.


Depois de tantas tentativas, finalmente ganhei um PPTQ! Agradeço a todos que contribuíram para esse desfecho. Ao meu irmão Felipe, que treinou a maioria dos matchs comigo em casa numa tarde ensolarada; aos parceiros de equipe –  Aloyr, Julio e Lelis – pelos treinos e discussões relevantes que me fizeram elaborar um plano de jogo para cada match do ambiente e a toda galera da Liga Arena pelo apoio e vibração. E que venha o RPTQ!



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