segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Filosofando o Magic




Filosofando o Magic – Top 8s do Standard, Innistrad e outros assuntos aleatórios.


Nariz de Cera

Normalmente, abordar assuntos aleatórios é uma regra nos posts que eu escrevo (nesse blog, no blog que eu tinha, no tumblr, no twitter). Numa postagem com “assuntos aleatórios” logo no título...

Varias coisas sobre Innistrad nessa postagem, algumas prometidas, outras não; assim como outros assuntos – ex. Dinossauros.

Começaram os eventos com Innistrad no Mol, que vai ser um lugar para ver as listas standard atuais sendo testadas com maior frequência. Recomendo especialmente fuçar nos Daily Standards de 14/10 em diante (quem perdeu o link pras listas do mol? Todo mundo? Sem problemas - http://bit.ly/eNHbaO – as listas dos Standard Daily estão embaixo de “Event Coverage, no canto inferior direito – vulgo “na sua direita, não a da tela”).

O Mol vai ser um lugar bom para ver o que essas listas novas fazem com as listas que deram uma sumida dos top 8s, como o Bant Pod ou listas “beatdown” como os Tempered Steel e Mono Black Infect da vida (listas velhas), coisa que aconteceu nos estaduais esse fim de semana. Ao invés de especular sobre o futuro dessas listas, vou falar dos top 8s em eventos maiores, como o GP Brisbane, e também do SCG Open em Nashville, ambos dominados por listas novas, delineando algumas tendências no standard.

Como muita gente não tem poesia na alma, a gente precisa “chegar chegando” nos posts :) :

Decklists Standard recentes (e torneios que eu usei de base para escrever a seção anterior):

Top 16 do SGC Open Standard 09/10/11: http://bit.ly/q3RPTa (4 decks sem Snapcaster Mage no top 8, incluindo o vencedor, um Wolf Ramp).

Top 8 do GP Brisbane: http://bit.ly/nr0zcr (4 decks sem Kessig Wolf Run no top 8, incluindo o vencedor, um UB control)

Estaduais US e Canadá: http://bit.ly/rbfeyM Obs. As listas ainda não tinham sido postadas “até o fechamento dessa edição”, mas tudo indica que a referida “muvuca” acontecerá no link indicado algumas linhas atrás. Pelo que eu consegui descobrir dos estaduais, vários Wolf Ramp nos top 8s, além de Solar Flare e UB. UW e GW também presentes (aparentemente o vencedor de Nova Iorque foi um GW). Temos também a presença de Bant Pod, Tempered Steel e Mono Black Infect em alguns top8s.

Innistrad chegou e o Standard começou de novo

Considerando apenas o Standard Competitivo, Innistrad tem algumas cartas boas. Entre elas, definindo o formato:

- Snapcaster Mage: A carta é boa. É boa de verdade. A gente vai ver muito Snapcaster Mage enquanto pessoas jogarem Magic ou enquanto ele não for banido do standard/ legacy/ modern/ block/ vintage/ commander. Além de entrar nos UW da vida, lugar onde todo mundo cismou de enfiar o garoto desde os tempos de spoiler, ele trabalha “muito bem, obrigado” com Doom blade, Dismember, Surgical Extraction e até Divination.

Existem listas de UWb com Snapcaster, que tem um side mais parrudo que um UW qualquer. Mesmo num UW Mage, eu não tiraria todos os cards pretos – tipo Dismember/Surgical Extraction - de perto do Snapcaster, pois eles fazem o mago ter todo o sentido.

A receita é mais ou menos: “Tira umas Instants do deck e coloca Snapcaster Mage, que pode copiar instants que você joga no início do jogo (lá pelo turno 2) no cemitério” Também da certo com feitiços, mas nem tanto. Como só tem carta ruim no standard o standard ainda está meio indefinido, não me surpreende que ele não esteja fazendo feio. O que me surpreende é ele já estar fazendo bonito até demais no Legacy,  aparecendo em 4 decks do top 8 – http://bit.ly/r5T3Og .

- Kessig Wolf Run (também conhecido como Valakut 2.0): Um terreno raro com temática de lobisomens. Você o arranca da temática (o que, diga-se, é necessário com boa parte dos cards de ISD) e tem um deck standard de verdade. A estratégia ideal é: “Mana –> Ramp –> blá blá blá + Slagstorm –> Titã Verde –> Kessig Wolf Run = Um dos meus 4 Inkmoth Nexus ganha +X/+0 (e X é um montão, porque o deck é Ramp) e você morre.”

É um mono green com Slagstorm MD (e outras coisas vermelhas no side), ou simplesmente mono green (Dungrove Elder é meu bicho favorito na versão mono green – e como todos os meus “bichos favoritos”, aparentemente ele não é staple). Zenite Verde para Birds/Acidic Slime = gente triste. Até poderia ser o deck mais barato, não fosse o preço do Garruk, que tem mais cara de “win moare” do que qualquer outra coisa. Bonito mesmo é ver no mirror “bloqueio seu Titã com meu Wurmcoil”, porque criatura boa é criatura que diz “Lolz, dismember!”.

Vale lembrar que o tal do Slagstorm pode ser cada vez mais necessário (fichas, criaturas com hexproof, etc), o que significa que a falta de uma mana vermelha para usá-lo na hora certa pode significar não ir para a final de um GP (http://bit.ly/qYd4x1).

O que vai jogar no standard? Recomendo ler isso daqui. Se você não quiser ler, acho que esses serão os decks tier 1 (alguns nomes por mim cunhados): Wolf Ramp, UB Mage Control, UWb Mage Blade, Esper/Solar Flare, GW Tokens e Red Deck Wins (incluído aqui por pena porque é bom ter side contra, pois deve ser comum em torneios, mesmo que apenas antes do top 8). Red Deck Wins deve acabar sendo uma linha (o que estiver abaixo desta linha deve acabar ficando como tier 1.5-2). Mais ou menos: imagina que Kessig Wolf Run é o Valakut e que Snapcaster Mage é o Jace the Mindsculptor, embora nenhum deles seja tão roubado quanto as respectivas reencarnações passadas.

Snapcaster Mage deve, em tese, regular de preço com a Stoneforge Mystic antes do banimento, mas a vantagem dele é jogar com cartas baratas ao invés de necessitar de equipamentos míticos. Entretanto, como é possível montar decks com um playset de snapcaster mage e outras cartas (bem) mais baratas, pode ser que ele fique mais cara que a Stoneforge em seus dias, pois o “total do investimento” no deck, digamos assim, pode ser menor do que o de um Caw Blade (Stoneforges, Jaces, Espadas, Batterskull...)

Liliana of the Veil: Provavelmente esta carta é uns 30-40% por cento do que as pessoas queriam que ela fosse (Jace, TMS). Muita gente viu Liliana no spoiler e achou um lixo. Eu achei (e ainda acho) boa. Dai, um belo dia, mundo acordou e cismou que: “Nossa, Liliana é muito máquina no tal do 'solarflér”. Pode vir a ser (um dia). Ainda é cedo para dizer que ela é desnecessária no momento, mas já me sinto confortável para dizer que ela não é staple no standard (pelo menos, não tanto quanto Snapcaster Mage). Ver o segundo colocado no SCG Open e o primeiro colocado no GP Brisbane “chegarem lá” sem ela foram os fatos que me deixaram confortável neste posicionamento. Com o andar da carruagem, pode até ser que um dos Garruks seja considerado o-mais-próximo-de-Jace ao invés dela, já que Garruks aparentemente estão vendo mais Top1s nesse estágio inicial.

Garruk Relentless: Muitos decks – GW tokens especialmente incluído – usam Garruk para se recuperar depois de um rapa (slagstorm, Day of Judgement, etc.). Embora o Ramp se dê melhor com Garruk, Primal Hunter, muitos outros decks usam Garruk Relentless para consertar algo que parece estar muito errado, como não usar Snapcaster Mage ou Kessig Wolf Run + Inkmoth Nexus no deck. Talvez uma das únicas cartas dupla face que estão vendo muito jogo fora do draft/selado (Mayor of Avabruck que transforma fácil entrando por pod e Reckless Waif em alguns mono reds seriam as outras).

Kessig Wolf Run: Se der para colocar no seu deck, coloque. RG para dar +0/+0 e atropelar para um Wurmcoil Engine da vida é uma utilidade para aquela birds no late game. XRG para um meio-overrun que não pode ser anulado também é muita coisa. Deve regular de preço com o Valakut e ser bem popular, pois ambos os decks que giravam em torno dessas cartas têm muitos cards em comum (Primeval Titan, Green Sun's Zenith, etc.).

Temos, portanto: RG/G Wolf Ramp (provavelmente a lista mais próxima do definitivo); UB control (tem mais remoções para lidar com 4 Inkmoth Nexus); Esper (tem menos remoções do que UB e pode ter problemas com os Nexus); Mage Blade (se não fosse a ficha de golem com iniciativa que para os aggros...); Red Deck Wins (já ganhou muita coisa esse mês, mas está em declínio – mesmo assim, bom lembrar que ele existe, pelo menos antes do top 8); GW Tokens (matar rápido decks preocupados demais uns com os outros, gostei do 2º colocado em Brisbane, quer ver o de Nova York).

O restante dessa postagem é uma coletânea de assuntos aleatórios

Prestidigitação e cards de dupla face

Por hábito, mania ou paranoia, comece a olhar o card curinga que o jogador alvo usou para fazer mágicas daqui para frente. Pode ser que nesse mundo cheio de gente bacana de boa-fé que é sua amiga, por algum acidente do destino, um sujeito use o card curinga com a bolinha do Gatstaf Shepherd marcada para descer um Garruk Relentless, removendo o card curinga da frente do seu nariz antes de você conferir qual bolinha está marcada. Não que as pessoas estejam usando muita coisa além de Garruk2F no standard, mas é bom ficar de olho nos limiteds da vida...

Terrenos Inimigos em Innistrad

Os terrenos de M10 de cores inimigas não fazem parte do contexto de Innistrad – eles foram entocadas lá, porque uma hora precisariam sair. Isso significa que como regra para as próximas edições do bloco o foco em cores aliadas será mantido – sem lobisomens azuis por enquanto... (fonte).

Esses terrenos precisavam estar em algum lugar – e logo, porque parece que a Wizards os encara como as “novas old-duals” (terrenos que consertam sua base de mana sem te fazer procurar números num d20 todo turno ou dar um Raio em si mesmo para entrar em jogo). Para mim, isso é mais um sinal de suporte ao casual – Innistrad não precisa desses terrenos, talvez nem o standard precise (salvo raras exceções), formatos eternos dão risada deles, mas o Magic como um todo precisa dos “terrenos M10 – cores inimigas”.

Cards legais x Cards bons

Se eu achei que ISD ia vender? Até achei, no outro artigo, por causa do flavor. Eu só não achei que ia vender tanto...  A quantidade de jogadores únicos no pré-release de ISD (é, Innistrad não é “INN”) foi 132% do número de jogadores únicos no pré-release de SOM. O que quer que tenha dado certo (talvez o flavor, talvez a possibilidade de vir “mais cartas raras” com uma carta dupla face no lugar de uma comum, o fato de a box aberta parecer que a Liliana está com boosters no colo, etc), deu muito certo. (fonte dos números: Aaron Forsythe no twitter, 04/10 - @mtgaaron).

Alguma coisa parece ter dado muito certo no reino da Wizards of the Coast. Provavelmente, o tal do “design de cima pra baixo” (cartas criadas a partir de um tema ao invés de um tema enfiado nas cartas) deve virar uma regra daqui pra frente. E tomara que essa distribuição de raridade nos boosters (com uma carta-sei-lá-o-que,-que-pode-ser-rara no lugar de uma comum, como foi feito em Innistrad e Caos Planar) continue.

O mais interessante é que para vender, ISD está apelando para o flavor (e, talvez, para fotos de vampiro sem camisa), ao invés de simplesmente fazer uma meia dúzia de power gamers criar uma LER abrindo boosters em busca de Snapcaster Mage, Garruk2F e Liliana of the Veil.

Este que vos escreve, por exemplo, amante de formatos casuais, elejo como minha carta preferida Village Cannibals - mesmo sabendo que não é uma carta exatamente boa. Sem dúvida, é a carta mais legal de magic,  excluindo-se Cabrito Montês (maior criação humana de todos os tempos).

Embora “não exatamente competitiva”, a carta é interessante. Se a ideia por trás dos tais cards colecionáveis for exigir que existam cards ruins nos sets para a coisa toda vingar, pelo menos que sejam cards ruins legais.

O pensamento da quinzena é: o que seria do T-Rex se todo dinossauro fosse igualmente legal? E se você gosta mais do Brontossauro por causa do desenho “Em busca do Vale Encantado” por algum motivo, é um direito seu, mas fica outro pensamento: não perca tempo dizendo que “o T-Rex nem é tão legal assim”, que “Deus/Evolução acabou com a graça dos dinossauros quando fez o T-Rex tão legal e overpower”, que “acabou com a variedade dos dinossauros quando surgiu o T-Rex”, etc.

Todos têm direito a ter opinião, mas T-Rex é tipo um “legacy staple” do planeta Terra – ele tem resultados a favor dele. Mesmo assim, dinossauros como um todo são legais e, no final do dia, talvez seja isso o que mais importa.

PS: Porque quando você usa metáforas com dinossauros, pessoas sabem que você está falando sério.

PS2: Eram os T-Rexes Tarmogoyfs?



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Filosofando o Magic – Postagem aos moços



Filosofando o Magic – Postagem aos moços



Nariz de cera

“Por que isso agora?” - Poderia o mais crítico leitor indagar. Essa semana é o lançamento de Innistrad, coleção ambientada num cenário que nos lembra um filme de terror clássico, com vampiros, lobisomens, “fantasmas”, etc (existia até outra postagem sobre Innistrad, que fica para o futuro próximo se Urza-lá-no-além assim o quiser).

Isto posto, é provável que Innistrad atraia mais jogadores iniciantes do que o habitual, por isso decidi escrever uma postagem direcionada aos iniciantes ao invés de escrever uma postagem explicando porque os vampiros vermelhos virados no cão são bons e achando estranho como os humanos, pobres vítimas numa noite sem fim, terminaram com um bom deck Standard verde e branco com Mirran Crusader, Hero of Bladehold, etc.

Sugiro que mesmo os que não são mais iniciantes leiam a postagem até o fim – ela não é tão grande e sempre pode aparecer uma dica. O conselho, que normalmente fica no final da postagem, hoje veio para o começo, direcionado aos desistentes, sem deixar de incentivar os iniciantes: Todo dia de manhã, todo mundo é iniciante de uma certa forma... (Ou “todo dia de tarde”, se você acorda depois do meio dia).

Ah, é! O assunto...

Obs.: Esse post está ficando com mais parênteses que o normal. Não é o ideal fazer isso quando se escreve, mas estou fazendo para ir explicando alguns termos para quem eventualmente os desconhece.

“Vosso coração, pois, ainda estará incontaminado; e Deus assim o preserve.” - Rui Barbosa, Oração aos moços.

Na minha época de inciante (1997) já existia um ambiente competitivo, mas ele era mais “distante” do que ele é hoje. Nos tempos de outrora, não existia internet (existia um troço chamado “internet discada”, conhecida carinhosamente como “não-internet”) e você não assistia os vídeos dos torneios ou tinha tanto acesso às listas dos campeões, “atualizadas” em tempo real nas listas de discussão.

O resultado prático disto era que tínhamos jogadores veteranos, com seus mais de dois anos de experiência falando sobre White Weenie (que foi o primeiro “decklist” nos moldes atuais) e explicando porque algumas cartas não eram tão boas quanto pareciam.

Hoje em dia, o cenário é um poucochinho diferente: o jogador iniciante chega para jogar e um jogador “com mais experiência” fala que o deck dele não ganha de ninguém, que ele deveria netdeckar (copiar deck da internet) uma lista budget (econômica), que sem o terreno “X” não dá para jogar, que deck de uma cor só é uma porcaria porque toda cor tem suas deficiências, etc. Daí o jogador vê o preço dos decks competitivos (os decks que possuem melhores resultados em torneios) e; feliz membro da geração Y, Z, Aa, acaba pensando em desistir de tudo.

Resumidamente – jogadores com mais tempo de jogo (não necessariamente “mais experientes”) vendem a ideia de que o Magic é uma competição ao invés de um jogo ou coleção. É assustador perceber que existem jogadores que nem tem DCI (é um número, pra acompanhar seu histórico de jogador competitivo) e acreditam que Magic e só jogar com deck que faz top 8 em Pro Tour/Nacional e nada mais.

Magic é muito (mas muito) maior do que um Top 8 (os oito melhores decks) Standard (formato sancionado que utiliza os dois blocos mais recentes e uma edição básica). Assim, se você não gosta de standard ou não tem um deck competitivo no início, não significa que você está proibido de se divertir.

Em todo lugar vai ter gente rude, gente interesseira, gente que não é exatamente um modelo de caráter, gente que vai precisar ouvir Like a Rolling Stone do Bob Dylan, gente que é um verdadeiro desperdício de oxigênio ambulante, gente legal, amigos para a vida inteira, etc. Informação importante: alguns jogadores pseudo-competitivos  conseguem ser insuportáveis em jogos ou trocas, até porque Magic é o tipo do troço que desperta paixões, mas fora do Magic eles até que são pessoas legais. Isso significa que não é porque “fulano falou tal coisa” ou “fulano fez uma troca ruim pra você” que o Magic não é o seu lugar – o Magic também é maior do que os fulanos que fazem ou falam coisas por aí (eu e todos os outros milhões fulanos incluídos).

No final do dia, se para um fulano entre os milhões o Magic for apenas um hobbie, uma coleção ou algo com o que ele não está disposto a gastar muito dinheiro, sem problemas, isso não faz dele um criminoso ou coisa parecida. O fato de alguém não pensar como você não te dá o direito de tratá-lo mal, nem te obriga a excluí-lo de alguma forma.

“Mas e se o Magic pra mim for competição?” (ou como começar uma coleção de cards)

Este que vos escreve é uma pessoa dada a experimentos. Pois bem, desde o lançamento de M12 joguei alguns drafts (o que é draft? Clique-me) com uma ideia na cabeça – separei as cartas que draftei e abri em premiação e tentei montar um deck com os “espólios”. Até que deu certo resultado e, se eu estivesse começando de novo no Magic, provavelmente faria desse jeito – até porque você pode jogar sem necessariamente ter cards antes do draft. Você joga com as cartas que escolhe no draft, naquele draft, como se uma vida nascesse e morresse naquele evento. Passo a passo:

1 – Decidi que ia jogar draft, só que tentando ganhar os drafts. Isso é um passo importante, já que eu não estava pegando cartas pensando em usá-las em um deck fora do draft ou para completar alguma coleção – as cartas do draft, vejam só, também são usadas no draft.

O raciocínio por trás disso é simples: pelo menos em M12, salvo raríssimas exceções, você vai acabar pegando as cartas mais caras porque ou elas são significativamente mais poderosas do que as outras (como planeswalkers) e vão ganhar alguns jogos para você ou, pelo menos, não vão ganhar jogos para outras pessoas.

As outras cartas “atraentes” normalmente custam em torno de 10 reais no mercado secundário. Arriscar perder o draft por causa de uma carta dessas não faz muito sentido, pois se você quer ficar com ela tanto assim seria melhor comprar os boosters e a carta – ou só as cartas. Em outras palavras, pegar a incomum que vai deixar seu deck “redondo” e pode te colocar na zona de premiação é economicamente mais útil do que pegar uma rara de 10 reais. Você até pode pegar essas cartas, desde que tenha certeza absoluta que isso não vai prejudicar seu deck. Se você está jogando drafts, tente ganhar os drafts - você vai acabar montando uma coleção depois por via de consequência.

2 – Comecei a ler sobre draft – como montar os decks, o que pegar, o que não pegar, quais são as remoções, as bombas, first picks (não vou explicar os termos de propósito – ideal seria que quem não conhece esses termos lesse vários textos sobre drafts – se possível de autores diferentes, para aprender sobre – além disso esse artigo não é sobre drafts, isso é apenas uma divagação longa). Encurtando a história – 23 cards, 17 terrenos, ter cartas que “matam” outras cartas, mais de 10 criaturas e ter cartas distribuídas pelos custos de execução, com um número ligeiramente maior de cards de custo baixo.

3 –  Li o “spoiler” (a lista com o nome de todas as cartas, de preferência com imagens de uma edição) para conhecer as cartas e pensar sobre elas. Olho nesse site aqui - no link coloquei Innistrad em portugês como exemplo.

4 – Treinei algumas horas num simulador de drafts - http://magicdraftsim.com/ - nesse site, que disponibiliza a edição mais nova antes do pré-lançamento (já tem innistrad pra gente treinar), é possível simular um draft, pois uma base de dados – ou “computador” - vai escolhendo cartas pelos oponentes com base nas escolhas que as pessoas costumam fazer, num ranking. O resultado acaba ficando semelhante a drafts em lojas locais (o computador, assim como alguns jogadores casuais, passa coisas para você que ele não deveria passar). Depois de escolher as cartas, você pode simular a montagem de um deck para ver como ficou. Existem outros sites que requerem cadastro, mas eu usei esse para treinar. Pra que treinar? Para acostumar a reconhecer as cartas pela arte e saber o que elas fazem só de vê-las de relance. Assim você não precisa pegar uma carta correndo e descobrir quão ruim ela é só na hora de montar o deck.

5 – Jogue o draft. Depois que você chegar em casa separa as cartas e daí você pensa no seu deck e como o que você conseguiu no draft pode te ajudar.

Você poderia simplesmente abrir boosters ou comprar cards no mercado secundário, mas o draft é uma tremenda escola de ambiente competitivo e montagem de decks. Além disso, é uma boa maneira de se autoavaliar (e porque não, pensar pequeno e avaliar os outros, porque a gente tem que aproveitar a vida de vez em quando, né?), pois o fato de fulano ter milhares de cartas em casa não importa num draft, competição na qual todos tem acesso ao mesmo número de cartas. Se você quer jogar torneios e ter um DCI (e usá-lo), draft é muito recomendável.

Parafernália

Para jogar Magic, você precisa de cartas (sério?). Na seção anterior falamos em como consegui-las. Além disso, você vai precisar de:

- Terrenos: eles também são cartas, mas são meio “diferenciados”. É bom ter pelo menos uns 25 de cada, para poder montar qualquer deck (meu sistema pessoal é ter sobrando uns 20 terrenos de cada, além dos que eu uso nos decks e dos 17 de cada que deixo separados para draft).

- Protetores: o que se usa para chamar o Capitão Planeta! Brincadeira (digo, piada de velho...). São plastiquinhos usados para proteger as cartas e torná-las embaralháveis. Várias marcas e preços. Uso os coloridos opacos para os decks “competitivos”, os transparentes mais baratos para decks casuais (tenha um estoque de reserva, pois estes estragam fácil) e abomino os estampados como se eles fossem uma morte lenta e dolorosa (eles ficam arranhados, o que pode servir para algumas pessoas dizerem que as cartas estão marcadas e, pra mim, estampado = brega).

- Play-mat: é um mouse pad gigante, que serve para colocar em cima de superfícies (normalmente mesas, mas isso não é uma regra) e jogar sem arranhar ou danificar os protetores. Existem versões sem estampa, mas são mais difíceis de achar do que dinheiro no chão ou gente feliz (moedas e gente feliz de facebook não valem, isso todo mundo acha). Assim, por total falta de opção, uso um brega estampado, com números representando pontos de vida na lateral, para não precisar ficar procurando números em dados.

- Dados: Servem como marcadores, inclusive de pontos de vida e para ouvir a piadinha mais velha, que não reproduzirei aqui. É bom ter alguns por perto. Recomendo 2 dados de 10 faces para quem vai marcar vida (dezena e unidade) e “N” dados de 6 faces para marcadores (+1/+1, -1/-1, lealdade...), pois é mais fácil de encontrar números rapidamente nesses dados do que nos d56 da vida...

- Caixas: O hobbie de magic fica esquisito nessa parte aqui – você nunca mais vai ver uma caixa da mesma maneira. É bom ter acesso à caixas de papelão para guardar cards (de preferência sem abas que “entrem” na caixa danificando as cartas – caixas de presente são boas para isso) e caixas de deck para guardar decks. Eu uso deck boxes da ultra pro, das coloridas que parecem ter uma textura, pois elas são duráveis (estranhamente, mais do que as caras), baratas e cabem facilmente em outras caixas. Eu não gosto de caixas com nomes pomposos, de metal (que entortam e enferrujam), caixas com velcro, com imã, etc. As caixas estampadas de plástico também ficam feias (especialmente, arranhadas) com o tempo.

- Pasta e folhas de plástico: Bom para guardar e especialmente para transportar cartas. É bom ter pelo menos um portifólio pequeno para guardar cards para trocas.

Um produto interessante (e lamentavelmente caro) é o tal do fat pack – ele vem com terrenos básicos, uma caixa boa (que eu carinhosamente chamo de “caixa de caixas”, pois algumas caixas de plástico encaixam perfeitamente ali, evitando que elas fiquem jogadas na mochila), um dado e alguns boosters. É um produto interessante para iniciantes, embora não-indispensável.

Estado de conservação dos cards

Cards near mint são cards que parecem ter acabado de sair do booster. Os cards com alguns defeitos (bordas desgastadas, riscados, arranhados, etc.), desde que reconhecíveis, podem ser usados em torneios, de preferência em protetores opacos. Normalmente, esses cards são mais baratos que os cards em perfeito estado de conservação. Nesse caso, eu prefiro cartas usadas a cartas em perfeito estado.  Explicando: Se você jogar com um card, ele deixa de ficar em perfeito estado com o tempo (mesmo dentro de protetores). Assim, se a ideia é colocá-lo num protetor para jogar, ele não precisa estar perfeito (apenas jogável) – a diferença é que ele custa mais barato (ou pelo menos, deveria custar) no mercado secundário e você economiza dinheiro.

Lá fora, algumas lojas vendem cards played em tão bom estado, melhor até que os near mint daqui que me mandam de vez em quando, que um leigo tem dificuldades em dizer onde está o defeito – estão praticamente perfeitos e custam mais barato do que os near mint. Se você vai colocar os cards numa pasta com cuidado e deixá-los na, como coleção, é legal ter near mint. Se for para colocar dentro de caixas, carregar em bolsos da mochila, colocar em protetores opacos e jogar, os cards “machucadinhos” funcionam.

Essas foram apenas algumas dicas para iniciantes, quem sabe com o tempo teremos outras mais.

Links:

- Oração aos Moços – Rui Barbosa (com link para o texto integral): http://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_aos_Mo%C3%A7os
- http://magiccards.info/search.html – site para a pesquisa de cards, que permite buscas pelo nome em português.
- Formatos: http://www.wizards.com/Magic/TCG/Resources.aspx?x=mtg/tcg/resources/formats
- Regras: http://www.wizards.com/Magic/TCG/Resources.aspx?x=magic/rules

Fim